terça-feira, 2 de novembro de 2010
Sorry
Caros leitores, a partir deste ano estou me dedicando exclusivamente a escrever sobre gastronomia e viagens no Comer e Andar, devido à falta de tempo para apurações sobre o tema deste blog. Peço desculpas e prometo retomar quando possível. Até breve!
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Ao chão com os minaretes

O cartaz do SVP

E um minarete de verdade
Uma notícia correlata ao que eu já havia escrito sobre "o extremismo do lado de cá", ou como o Ocidente parece dar alguns passos para trás, com certa frequência. No último dia 29, a Suíça proibiu, por meio de um plebiscito nacional, a construção de minaretes em mesquitas do país. Segundo o resultado oficial, 57,5% dos eleitores aprovaram a proposta do Partido do Povo Suíço (SVP), de direta, é claro.
O SVP, maior partido da Suíça, é aquela mesma agremiação que, há alguns anos, fez uma controvertida campanha contra a imigração cujos cartazes mostravam um bando de ovelhas brancas chutando uma negra de uma bandeira suíça.
Desta vez, o criativo designer responsável pelos cartazes do SVP transformou os minaretes em mísseis, sobre uma bandeira suíça, ao lado do desenho de uma mulher coberta com um chador negro e um véu. O país possui 160 mesquitas, mas apenas quatro delas com minaretes.
A pequena população de 300 mil muçulmanos que vive na Suíça ainda não fez barulho que chegasse até aqui. Mas a Turquia, a Líbia, o Egito, a ONU e até o Vaticano - cujas igrejas seguirão com suas cruzes legalmente erguidas aos céus - já se manifestaram contra a medida. E o tipo de reação que isso pode gerar é bastante óbvia - basta recordar o efeito das caricaturas de Maomé publicadas em 2006 naquele jornal dinamarquês.
Mudança climática: grana ou boa vontade?

Os ursos polares perdidos em blocos de gelo flutuantes me partem o coração. É sério.
Não posso me furtar de comentar o assunto da semana: a 15ª Conferência das Partes (COP-15) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, em Copenhague. Este evento é considerado por muitos o encontro mais importante do mundo desde o final da Segunda Guerra Mundial.
Hoje de manhã, Carlos Alberto Sardenberg, em sua coluna na CBN, fez observações interessantes sobre o tema. Ele fez as contas de quanto o mundo gastaria para frear o aquecimento global e concluiu que um investimento equivalente a 1% do PIB global seria suficiente. Em valores absolutos, parece muito - US$ 615 bilhões - mas 1% de tudo que a indústria mundial produz, para literalmente "salvar o mundo", não soa um valor exagerado. Ainda mais se considerarmos que o mundo despendeu US$ 7 trilhões, no último ano, em medidas emergenciais para salvar a economia. Somente nos Estados Unidos e na China, os dois maiores poluidores do mundo, foram disponibilizados US$ 2,6 trilhões e US$ 585 bilhões, respectivamente, com incentivos fiscais, programas de suporte à indústria e aos bancos. Deste total, há quem diga que os EUA ainda não gastaram a metade.
Conclui-se que é um valor razoável considerando a importância do assunto, mas Sardenberg tem razão em questionar: o que fazer com este dinheiro, caso o mundo decida por disponibilizá-lo para combater as mudanças climáticas? No caso de países como a China e o Irã, por exemplo - com grau zero de transparência - como saber onde o valor correspondente estaria sendo aplicado? E nem precisamos ir muito longe: se o Brasil recebesse sua cota, o dinheiro iria direto para projetos contra o desmatamento da Amazônia, por exemplo, ou passaria pelos governos estaduais e municipais (perdendo-se, assim, em grande parte, devido à nossa famigerada tradição de roubalheira)?
É difícil combater o aquecimento global. Mas é preciso ter interesse também, e por isso este encontro em Copenhague é tão decisivo. Porque mais difícil do que buscar técnicas, tecnologias e leis que impeçam a mudança climática é convencer as pessoas desta urgência.
Não faz muito tempo, conversava eu casualmente com um empresário do setor de carros importados sobre uma montadora "X" de veículos conhecida, entre outros aspectos, por ser campeã na venda de veículos flex e por investir em tecnologias mais verdes em seus automóveis. De repente, ouvi do meu interlocutor a seguinte pérola: "a montadora X precisa começar a utilizar motores a diesel em seus carros!" Eu respondi: "hein?"
O homem me explicou que o diesel é muito melhor em custo-benefício, que ele tem autonomia para rodar até 1.000 km sem precisar abastecer, e que um motor a diesel é muito mais potente, etc. Ok, concordei com ele, "há benefícios". Mas eles compensam o estrago do diesel, campeão de emissões de gases poluentes, junto com o desmatamento - tudo isso diretamente responsável pelo derretimento das calotas polares, extinção de animais, proliferação de doenças, fome, ondas de refugiados e por aí vai...? Isso tudo vale um carro mais potente, que roda até 1.000 km sem precisar abastecer (como se não tivéssemos postos de abastecimento nas estradas)? Como se já não bastasse a quantidade absurda de caminhões e ônibus que ainda não venceram a dificuldades tecnológicas de se adaptar ao uso do biodiesel nas estradas do mundo inteiro.
Segundo a WWF, o dióxido de carbono (CO2) é responsável por mais de 80% da poluição que gera o aquecimento global. Aproximadamente 97% do CO2 emitido pelos países industrializados do Ocidente vêm da queima de carvão, óleo e gás usados para produzir energia. Aproximadamente 23 bilhões de toneladas de CO2 são lançados na atmosfera anualmente.
Um cálculo da revista Agroanalysis, da Fundação Getúlio Vargas, apurou que, em uma viagem de 100 km, um veículo a diesel libera 29,7 kg de CO2. Isso corresponde às emissões do processo de extração, refino, processamento e transporte do combustível, somados a todo o gás carbônico produzido na queima, no motor. Um veículo flex que utilizasse gasolina pura emitiria, no mesmo trajeto, 35,10 kg de CO2. Se este mesmo veículo flex utilizasse somente o etanol, considerando a emissão de gases derivados da produção de cana e queimando-se a palha da cultura em 60% da área, ele emitiria um total de 6,92 kg de CO2. O número corresponde a 5,1 vezes menos do que se rodasse com gasolina pura, ou uma redução de 80% na emissão de gases do efeito estufa.
O Brasil, que é um caso de sucesso, tem sua matriz energética veicular composta da seguinte forma, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP - dados de 2008): 18,9% de biocombustíveis (etanol e biodiesel), 25,4% de gasolina, 3,4% de gás natural veicular e o impressionante número de 52,3% de diesel. Na matriz energética total, o Brasil utiliza 45% de energia renovável, contra apenas 14% no resto do mundo, graças à energia hidrelétrica e ao etanol. Com o uso generalizado da tecnologia flex, nós nos tornamos um bom exemplo para o mundo. Mas dado o rápido avanço dos efeitos do aquecimento global - e a mentalidade de muitos empresários e industriais -, não é suficiente.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Os ventos da guerra de Chávez
Os presidentes do Cone Sul se reunirão no fim do mês, em Quito, na cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul), a fim de discutir a aliança entre Bogotá e Washington que prevê a instalação de bases militares dos EUA no país sul-americano, para o combate ao tráfico de drogas. O polêmico acordo foi condenado pela Bolívia e Venezuela, que pedem a retirada da Colômbia da Unasul. Hugo Chávez chegou a sugerir que "os ventos da guerra" estão soprando no nosso continente, e que seu bravo país "não irá tolerar a ingerência americana na região".
Se aprovado, o acordo permitirá aos EUA manter 1.400 pessoas, entre militares e civis, em bases na Colômbia pelos próximos dez anos. Este acordo foi feito após Washington perder a permissão do Equador de manter uma base militar naquele país. Bogotá e Washington afirmam que o novo pacto é uma extensão do Plano Colômbia, acordo de combate ao narcotráfico e às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), e argumentam que todas as bases dos EUA permanecerão sob o controle colombiano.
Diante disso, gostaria de considerar alguns temas afins:
1) Houve muitos problemas no Plano Colômbia, iniciado em 2000, nos governos de Bill Clinton e Andres Pastrana. Em 2005, a então secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, reconheceu que o plano fracassou. Aliado a uma gestão nacional "mão de ferro", ele retirou dos grandes centros urbanos o problema do narcotráfico. Hoje, Bogotá e Medellín são cidades-modelo no que diz respeito à segurança: o controle é firme; os policiais estão armados até os dentes; as favelas foram todas urbanizadas. O plano ajudou a diminuir os índices de violência, como taxas de seqüestros e assassinatos no país. No entanto, os militantes das Farc e os paramilitares - os "narcoatores" - foram expulsos para o interior da Colômbia e as fronteiras de Venezuela, Equador e Brasil.
Na época, a Europa liberou US$ 90 milhões e os EUA investiram quase US$ 8 bilhões no projeto ao longo dos anos. Em 2007, 153 mil hectares de plantação de coca foram destruídos por aviões colombianos e americanos. Mesmo assim, o problema é crônico: hoje, a ONU estima que 99 mil hectares do país ainda são plantações de coca, e a Colômbia "exporta" cerca de 600 toneladas anuais da droga, número que quase não oscilou nos últimos anos. Os plantios estão cada vez mais dispersos e menores, portanto mais difíceis de serem localizados.
2) É discurso corrente na nossa região dizer que o Plano Colômbia foi "mais uma ação imperialista dos EUA para desestabilizar militarmente a região". Que se trata de uma "ingerência" e que fere a soberania da Colômbia. Que é uma tentativa de "assumir o controle da Amazônia".
Vejo por um outro ângulo. Os EUA agiram como a potência que são ao tentar evitar o desequilíbrio crônico da região à qual pertence, mais do que para dominar a Amazônia ou combater núcleos esquerdistas em nome da democracia. Os EUA são responsáveis por 50% de toda a cocaína consumida no mundo (90% vêm da Colômbia). O narcotráfico gera uma desagregação política e social que se espalha por outros países, como o Brasil, o Equador, a Bolívia e a Venezuela. Aliás, o transporte desta droga também passa por esses países.
Estas mesmas nações, que normalmente formam o coro antiimperialista (ok, o Brasil está mais ameno e disposto a ouvir detalhes sobre a nova aliança) também são, portanto, atingidos pelo problema do narcotráfico. Nenhum deles jamais agiu em direção a uma solução regional para o tema. Tampouco se dispôs a ajudar a Colômbia - militar, financeira ou diplomaticamente - neste tópico que atinge todo o continente. "O Brasil não quer se envolver, nem quer que os americanos se envolvam", bem disse José Augusto Guilhon, do Núcleo de Pesquisas de Relações Internacionais da USP numa entrevista. Idem para os demais países, que não somente não apresentam soluções, como também dão indícios de, se não facilitar por afinidades ideológicas, pelo menos fazer vista muito grossa à ação das Farc e de paramilitares em suas selvas e fronteiras.
3) O último ponto que quero considerar: uma das críticas mais razoáveis em direção ao Plano Colômbia é a de que ele não contemplou uma alternativa socioeconômica sustentável para um país em que 11% do PIB vêm das drogas. Foi uma solução estritamente militar. Ainda não podemos dizer se o plano atual segue um caminho similar. Alvaro Uribe ainda não deu detalhes sobre ele. Para a reunião no fim do mês, a Unasul convidou o presidente dos EUA, Barack Obama, para tratar das garantias de não-agressão aos países vizinhos. Numa tentativa de reduzir a polêmica, os EUA asseguraram que têm um "plano positivo" para a América Latina. Segundo Departamento de Estado, o plano "consiste em promover a prosperidade, a luta contra o narcotráfico, a Justiça e a igualdade de oportunidades".
Vamos esperar para ver.
Se aprovado, o acordo permitirá aos EUA manter 1.400 pessoas, entre militares e civis, em bases na Colômbia pelos próximos dez anos. Este acordo foi feito após Washington perder a permissão do Equador de manter uma base militar naquele país. Bogotá e Washington afirmam que o novo pacto é uma extensão do Plano Colômbia, acordo de combate ao narcotráfico e às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), e argumentam que todas as bases dos EUA permanecerão sob o controle colombiano.
Diante disso, gostaria de considerar alguns temas afins:
1) Houve muitos problemas no Plano Colômbia, iniciado em 2000, nos governos de Bill Clinton e Andres Pastrana. Em 2005, a então secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, reconheceu que o plano fracassou. Aliado a uma gestão nacional "mão de ferro", ele retirou dos grandes centros urbanos o problema do narcotráfico. Hoje, Bogotá e Medellín são cidades-modelo no que diz respeito à segurança: o controle é firme; os policiais estão armados até os dentes; as favelas foram todas urbanizadas. O plano ajudou a diminuir os índices de violência, como taxas de seqüestros e assassinatos no país. No entanto, os militantes das Farc e os paramilitares - os "narcoatores" - foram expulsos para o interior da Colômbia e as fronteiras de Venezuela, Equador e Brasil.
Na época, a Europa liberou US$ 90 milhões e os EUA investiram quase US$ 8 bilhões no projeto ao longo dos anos. Em 2007, 153 mil hectares de plantação de coca foram destruídos por aviões colombianos e americanos. Mesmo assim, o problema é crônico: hoje, a ONU estima que 99 mil hectares do país ainda são plantações de coca, e a Colômbia "exporta" cerca de 600 toneladas anuais da droga, número que quase não oscilou nos últimos anos. Os plantios estão cada vez mais dispersos e menores, portanto mais difíceis de serem localizados.
2) É discurso corrente na nossa região dizer que o Plano Colômbia foi "mais uma ação imperialista dos EUA para desestabilizar militarmente a região". Que se trata de uma "ingerência" e que fere a soberania da Colômbia. Que é uma tentativa de "assumir o controle da Amazônia".
Vejo por um outro ângulo. Os EUA agiram como a potência que são ao tentar evitar o desequilíbrio crônico da região à qual pertence, mais do que para dominar a Amazônia ou combater núcleos esquerdistas em nome da democracia. Os EUA são responsáveis por 50% de toda a cocaína consumida no mundo (90% vêm da Colômbia). O narcotráfico gera uma desagregação política e social que se espalha por outros países, como o Brasil, o Equador, a Bolívia e a Venezuela. Aliás, o transporte desta droga também passa por esses países.
Estas mesmas nações, que normalmente formam o coro antiimperialista (ok, o Brasil está mais ameno e disposto a ouvir detalhes sobre a nova aliança) também são, portanto, atingidos pelo problema do narcotráfico. Nenhum deles jamais agiu em direção a uma solução regional para o tema. Tampouco se dispôs a ajudar a Colômbia - militar, financeira ou diplomaticamente - neste tópico que atinge todo o continente. "O Brasil não quer se envolver, nem quer que os americanos se envolvam", bem disse José Augusto Guilhon, do Núcleo de Pesquisas de Relações Internacionais da USP numa entrevista. Idem para os demais países, que não somente não apresentam soluções, como também dão indícios de, se não facilitar por afinidades ideológicas, pelo menos fazer vista muito grossa à ação das Farc e de paramilitares em suas selvas e fronteiras.
3) O último ponto que quero considerar: uma das críticas mais razoáveis em direção ao Plano Colômbia é a de que ele não contemplou uma alternativa socioeconômica sustentável para um país em que 11% do PIB vêm das drogas. Foi uma solução estritamente militar. Ainda não podemos dizer se o plano atual segue um caminho similar. Alvaro Uribe ainda não deu detalhes sobre ele. Para a reunião no fim do mês, a Unasul convidou o presidente dos EUA, Barack Obama, para tratar das garantias de não-agressão aos países vizinhos. Numa tentativa de reduzir a polêmica, os EUA asseguraram que têm um "plano positivo" para a América Latina. Segundo Departamento de Estado, o plano "consiste em promover a prosperidade, a luta contra o narcotráfico, a Justiça e a igualdade de oportunidades".
Vamos esperar para ver.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Os poderosos chefões contra a imprensa
Nos últimos tempos, a Venezuela e a Colômbia têm sido alvo de críticas devido ao trato destes países em relação à imprensa. Na Venezuela, um projeto de lei que está sendo avaliado pela Assembléia Nacional (equivalente à nossa Câmara dos Deputados) condena jornalistas a até quatro anos de prisão, caso publiquem "informações falsas ou manipuladas" ou "prejudiquem o interesse do Estado" ou a "moral pública".
Na Colômbia, os poucos meios de comunicação ou repórteres não alinhados ao governo, que ousam denunciar casos de corrupção e de alianças entre familiares das autoridades e membros das Farc, se dizem perseguidos e intimidados freqüentemente. No México, sete jornalistas foram assassinados nos últimos sete meses, a maioria devido à publicação de notícias relacionadas ao tráfico de drogas que domina o norte do país. O Estado já desistiu de proteger a imprensa em terras mexicanas, e trabalhar no local tem tido o risco equivalente a fazer a cobertura de uma guerra.
O fato é que agora, nossa democracia dita "madura" que é o Brasil sofreu mais um golpe, numa tendência semelhante ao que nossos "vecinos" vivenciam: um desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal - cuja relação de amizade com o presidente do Senado, José Sarney, é provada e conhecida - proibiu o jornal Estado de São Paulo de publicar reportagens sobre a investigação da Polícia Federal contra Fernando Sarney, filho do presidente do Senado.
A decisão estipula que o jornal pare de publicar diálogos telefônicos - gravados COM autorização judicial - que revelam as relações do presidente do Senado com afilhados políticos e parentes contratados por meio de atos secretos. O pedido de liminar do desembargador alega que a divulgação da matéria fere “a honra, a intimidade, a privacidade” e “avilta o direito de personalidade de toda a família Sarney”.
Não contente, Sarney ainda montou um "bunker da contrainformação", apelido dado pelo jornalista Ricardo Noblat à equipe de 15 jornalistas que o presidente do Senado contratou para "lidar com a crise". A saber: os profissionais já trabalham há quase quatro semanas analisando diariamente o noticiário dos jornais, municiando os assessores de imagem de Sarney. Com base na análise dos jornalistas, o gabinete de crise do presidente do Senado elabora um “relatório de intervenção” para rebater as reportagens.
Os jornalistas, a maioria jovens e recém-formada, também utilizam redes como blogs, Twitter e Orkut para publicar comentários favoráveis a Sarney. A previsão é que eles fiquem pelo menos até novembro, num escritório montado a 10 km do Senado. Os jornalistas do "bunker" são pagos em dinheiro vivo, de acordo com matéria do Correio Braziliense, forma encontrada para não deixar rastros do vínculo com Sarney.
Notícias e comentários sobre estes absurdos aqui, aqui e aqui.
*
O blog do Noblat também tem um artigo interessante, sobre a nova forma de censura no Brasil, neste link.
Na Colômbia, os poucos meios de comunicação ou repórteres não alinhados ao governo, que ousam denunciar casos de corrupção e de alianças entre familiares das autoridades e membros das Farc, se dizem perseguidos e intimidados freqüentemente. No México, sete jornalistas foram assassinados nos últimos sete meses, a maioria devido à publicação de notícias relacionadas ao tráfico de drogas que domina o norte do país. O Estado já desistiu de proteger a imprensa em terras mexicanas, e trabalhar no local tem tido o risco equivalente a fazer a cobertura de uma guerra.
O fato é que agora, nossa democracia dita "madura" que é o Brasil sofreu mais um golpe, numa tendência semelhante ao que nossos "vecinos" vivenciam: um desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal - cuja relação de amizade com o presidente do Senado, José Sarney, é provada e conhecida - proibiu o jornal Estado de São Paulo de publicar reportagens sobre a investigação da Polícia Federal contra Fernando Sarney, filho do presidente do Senado.
A decisão estipula que o jornal pare de publicar diálogos telefônicos - gravados COM autorização judicial - que revelam as relações do presidente do Senado com afilhados políticos e parentes contratados por meio de atos secretos. O pedido de liminar do desembargador alega que a divulgação da matéria fere “a honra, a intimidade, a privacidade” e “avilta o direito de personalidade de toda a família Sarney”.
Não contente, Sarney ainda montou um "bunker da contrainformação", apelido dado pelo jornalista Ricardo Noblat à equipe de 15 jornalistas que o presidente do Senado contratou para "lidar com a crise". A saber: os profissionais já trabalham há quase quatro semanas analisando diariamente o noticiário dos jornais, municiando os assessores de imagem de Sarney. Com base na análise dos jornalistas, o gabinete de crise do presidente do Senado elabora um “relatório de intervenção” para rebater as reportagens.
Os jornalistas, a maioria jovens e recém-formada, também utilizam redes como blogs, Twitter e Orkut para publicar comentários favoráveis a Sarney. A previsão é que eles fiquem pelo menos até novembro, num escritório montado a 10 km do Senado. Os jornalistas do "bunker" são pagos em dinheiro vivo, de acordo com matéria do Correio Braziliense, forma encontrada para não deixar rastros do vínculo com Sarney.
Notícias e comentários sobre estes absurdos aqui, aqui e aqui.
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O blog do Noblat também tem um artigo interessante, sobre a nova forma de censura no Brasil, neste link.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Cartas de amor de Pinochet
O velho general Augusto Pinochet - um dos mais sanguinários da nossa América Latina - tinha um amor secreto: Piedad.
Piedad, de origem árabe, cabelos escuros e olhos claros, nascida em Quito, era o nome do segredo que Pinochet guardava a sete chaves. Eles se conheceram nos anos 50, quando Pinochet ainda era um jovem fardado, elegante, quiçá gentil e inofensivo, em missão militar no Equador. Há rumores de que a relação teria chegado a gerar um Pinochet bastardo, equatoriano e desconhecido.
A história de Piedad - e as cartas trocadas com o general até a morte dele, provas irrefutáveis do romance - e outros fatos ligados à vida íntima do ditador chileno são o tema do livro "A Família: História Privada dos Pinochet", recém-lançado no Chile, de autoria dos jornalistas Fernando Vega e Claudia Farfán.
Segundo uma reportagem do La Nación, a ideia do livro surgiu em 2006, após a detenção da filha mais velha de Pinochet, Lucía, nos Estados Unidos. Na ocasião, os jornalistas perceberam o quanto a família de Pinochet estava envolvida e o quanto dependia do patriarca.
O livro "A Família: História Privada dos Pinochet" é resultado de três anos de investigação e descreve a história da fortuna dos Pinochet, as personalidades de cada um, confidências e escândalos em que se envolveram a esposa e os cinco filhos do ditador.
O trabalho investigativo dos jornalistas nos conta que tudo deveria estar limpo e reluzente, no Palacio de la Moneda, quando o general retornasse de alguma viagem ou missão, exceto uma coisa: o móvel de madeira que Pinochet guardava em seu escritório. Ali, ele guardava as cartas de Piedad, com quem manteve contato até seus últimos dias, sabendo que a descoberta daqueles papéis poderia custar seu matrimônio.
A família Pinochet qualificou o livro de "fantasia caluniosa", enquanto outros o criticaram por humanizar o ditador. Neste link, é possível ler um trecho do livro, enquanto a obra não chega ao Brasil.

Pinochet e sua mulher, Lucía Hiriart, com quem se casou em 1940
Piedad, de origem árabe, cabelos escuros e olhos claros, nascida em Quito, era o nome do segredo que Pinochet guardava a sete chaves. Eles se conheceram nos anos 50, quando Pinochet ainda era um jovem fardado, elegante, quiçá gentil e inofensivo, em missão militar no Equador. Há rumores de que a relação teria chegado a gerar um Pinochet bastardo, equatoriano e desconhecido.
A história de Piedad - e as cartas trocadas com o general até a morte dele, provas irrefutáveis do romance - e outros fatos ligados à vida íntima do ditador chileno são o tema do livro "A Família: História Privada dos Pinochet", recém-lançado no Chile, de autoria dos jornalistas Fernando Vega e Claudia Farfán.
Segundo uma reportagem do La Nación, a ideia do livro surgiu em 2006, após a detenção da filha mais velha de Pinochet, Lucía, nos Estados Unidos. Na ocasião, os jornalistas perceberam o quanto a família de Pinochet estava envolvida e o quanto dependia do patriarca.
O livro "A Família: História Privada dos Pinochet" é resultado de três anos de investigação e descreve a história da fortuna dos Pinochet, as personalidades de cada um, confidências e escândalos em que se envolveram a esposa e os cinco filhos do ditador.
O trabalho investigativo dos jornalistas nos conta que tudo deveria estar limpo e reluzente, no Palacio de la Moneda, quando o general retornasse de alguma viagem ou missão, exceto uma coisa: o móvel de madeira que Pinochet guardava em seu escritório. Ali, ele guardava as cartas de Piedad, com quem manteve contato até seus últimos dias, sabendo que a descoberta daqueles papéis poderia custar seu matrimônio.
A família Pinochet qualificou o livro de "fantasia caluniosa", enquanto outros o criticaram por humanizar o ditador. Neste link, é possível ler um trecho do livro, enquanto a obra não chega ao Brasil.

Pinochet e sua mulher, Lucía Hiriart, com quem se casou em 1940
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Os 167 primeiros dias de Obama
Dica do Pedro Doria: no dia 6 de julho, o presidente Barack Obama completou 167 dias à frente da Casa Branca. Em homenagem a isto ("Por que 167 dias? Bem, por que não?"), o Boston Globe publicou 38 belas imagens do norte-americano no blog "The Big Picture". A lente hábil é de Pete Souza, o fotógrafo oficial da Casa Branca.
Aqui, fiz uma seleção das minhas imagens preferidas:





Aqui, fiz uma seleção das minhas imagens preferidas:





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